sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Pedagogia Moderna II: Estúpido Letrado

Depois de definido o primeiro ponto da autoridade, ou melhor, da minimização da autoridade por parte de quem ensina em relação a quem aprende, chegou o momento de abordar o segundo ponto: o conteúdo.

Não precisamos nos estender nas críticas modernas aos métodos clássicos sobre os conteúdos: é uma extensão das desferidas à autoridade.

Nos três métodos clássicos (Paideia, Trivium e Quadrivium e no Ratio Studiorum) o conteúdo era detalhadamente trabalhado.

O estudante aprendia a gramática encorado por uma literatura consagrada. Por exemplo, aprendia latim e grego, utilizando textos de Virgílio e Ésquilo. 

A Gramática era parte do currículo. Paralelamente a Retórica (arte de argumentar) e a Lógica seguiam passo semelhante com obras como as de Cícero e Aristóteles.

Para estes pedagogos, estudar sem conhecer a estrutura da gramática, o seu bom uso na literatura, as estruturas da argumentação e da lógica, seria um trabalho inútil.

Não sem razão, temos dificuldade para ler os autores gregos e escolásticos: a estrutura da linguagem e das formas lógicas são muito robustas para o nosso paladar mais delicado.

Enfim, o "conteúdo" clássico é vilependiado como instrução inútil na educação moderna. A ênfase moderna é em "temas" que formem bons cidadãos.

O que seria esta formação do "bom cidadão"? Aquele que se acomoda na forma das "virtudes" estabelecidas pela "vontade geral" (obviamente definida pelos "representantes" do povo).

Mais que conhecer a estrutura da linguagem e da lógica, importa segundo este critério moderno, "tomar consciência dos problemas de gênero e classe que corrigem as desigualdades".

A esta luz, o educando vai cada vez mais conhecendo as diversas formas de desigualdade (econômica, gênero ou raça). Inversamente passa a conhecer menos a própria linguagem, suas formas lógicas de expressão e ainda mais dramático, não se preocupa se estas "desigualdades" são verdadeiras.

De novo a lição do Aquinate: quanto mais complexo o conteúdo, mais são precisos conhecimentos precedentes. 

Se não há conteúdo (adquirido por estudo de várias fontes e de diversas épocas) o resultado é uma "opinião" assentada num sentimento confuso. A reflexão sólida dá lugar ao sabor das paixões do momento, algo que Burke constantemente alertava.

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