quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Pedagogia Moderna I: O Oprimido Opressor

Há dois pontos fundamentais onde a pedagogia moderna e clássica divergem profundamente.
O primeiro deles, que nomearemos como princípio da autoridade, estabelece a relação entre quem aprende e quem ensina.
A divergência inicia por aqui. Na modernidade (das últimas décadas) os termos foram se lapidando e variando. Podemos usar, contudo, estes: educando (que equivale ao "aluno") e educador (que equivale ao "professor".
O papel do educador é de "mediar" o conhecimento que o educando irá construir a partir da sua experiência. A esta luz, o papel ativo é do "educando". O "educador" serve como guia para os recursos humanos daquele.
Apesar da doçura das teorias pedagógicas, a realidade crua é que o educador, ao menos em grande medida, se submete ao educando e seus caprichos. Obviamente o ECA dá força de lei a este desiderato.
Os teóricos modernos criticam as relações de aluno/professor ou discípulo/mestre como "opressoras" e afirmam que apenas "decoravam", mas não aprendiam no sentido moderno. 
Esta crítica é uma repetição das palavras de Cipriano Luchesi, discípulo de Paulo Freire aos jesuítas. Gerações de pedagogos a endossaram, mas nunca se deram ao trabalho de estudar o "ratio studiorium" dos jesuítas e o seu resultado.
Nesta pedagogia clássica (e das Artes Liberais e Paideia) o professor não media passivamente. De outro modo, também o aluno não tem papel mais ativo.
Os críticos exacerbam os casos de autoritarismo e castigos para depreciar os métodos clássicos. Mas mesmo que fossem constantes, não justificaria o método permissivo da pedagogia moderna.
A questão de que "ninguém ensina ninguém" e que "mediatizados pelo mundo aprendemos uns com os outros" é farsa gritante: como poderíamos aprender através do "mundo", se como diz este enunciado de Paulo Freire, não se aprende com alguém de forma direta? Qual é  este misterioso princípio que ativa esta propriedade?
Esta insana ideia foi refutada por São Tomás de Aquino no século XIII. Pois Aquino afirmava que a razão natural do mestre estimula a do discípulo. Nesta condição as duas razões, como duas rodas, fazem o movimento da aprendizagem. A roda maior (do que sabe), gira a roda menor (do que desconhece).
Ademais, quem aprende, geralmente se tratando de crianças ou adolescentes, jamais poderiam estar em condições de autoridade com relação ao adulto, pois não tem discernimento suficiente nem experiência. Basta ver o desrespeito em geral para com os mais velhos.
Passemos ao próximo ponto...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Felicidade: existe?

É bem conhecida a expressão "quer ser feliz ou ter razão?". Ser feliz, neste sentido, é um estado superior ao de estar certo num c...