terça-feira, 8 de novembro de 2022

As Três Esferas da Ideologia

A concepção de "ideologia" como "estudo das ideias" abraça um plano meramente nominalista. 

O ponto vital da questão é a interpretação da realidade. Neste sentido, as ideias que possibilitam com maior ou menor sucesso este processo são agrupadas sob certa "ideologia".

Obviamente a "ideologia" pode ter sucesso e nem por isso ser necessariamente "verdadeira". Neste artigo, entendemos "verdade" como correspondente a realidade. Sendo esta percebida pela inteligência humana.

A ideologia, no sentido negativo, seria aquela que interpretaria a realidade de forma falsa. Isto deve ser entendido claramente: a mentira explícita não é usada, mas sim sutilmente misturada com a verdade, de forma que se confundam.

Neste caso a "realidade" adquire uma "camada" e se torna "instrumental". Esta é a "ideologia" que trataremos daqui em frente: um grupo menor determina o que é real e como se deve proceder nesta "realidade", enquanto um grupo maior acata esta "interpretação".

A esta luz, a "ideologia" nasce de uma elite intelectual. Poucos têm capacidade para entender como a esfera humana opera, ainda que parcialmente. Neste caso, as ideias se tornam instrumento de poder. Esta é a primeira esfera e aqui se encontram grandes intelectos como Rosseau, Voltaire, Hegel e Marx entre outros.

Mas as ideias têm que sair dos salões e gabinetes. Para isso é preciso da segunda esfera: os intermediários ou mediadores. Estes compreendem uma parte das ideias originais e as enfeitam para se tornarem atrativas nos meios acadêmicos. Foi o caso, no Brasil, de Paulo Freire: este estudou o marxismo clássico e as obras de Sartre. Apesar de não ter "estatura" para criar obra original, nem por isso deixou de mesclar estas e outras ideias numa vasta obra que seduziu a classe docente por várias décadas.

Neste caminho já trilhado, a ideologia atinge uma parte considerável da sociedade. Porém, a maioria falta ser atingida. Este objetivo é conseguido com a ajuda dos mediadores, da mídia e pela força do Estado. 

Para as massas a ideologia chega sutilmente embutida em ideias simples, ou seja, "slogans" e lugares comuns. Na terceira esfera, o sucesso depende da adesão das massas e o cultivo da "opinião" é de suma importância. O juiz supremo é o juízo pessoal, baseado num desejo obtuso e que é sugerido (ou obrigado por lei) pelo Estado. 

Ninguém sabe exatamente de onde vem uma ideia, mas ela controla a vida de toda uma sociedade. A prisão é tão perfeita que raramente alguém não se considera "livre".

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Esquerda: Pensamento e Linguagem

A Esquerda tem seus méritos e um deles é o estudo, no sentido filosófico do termo,  profundo dos temas utilizados para fins de sua infame ideologia.
O principal deles (relacionado ao ensaio da "Pedra Angular da Esquerda) é a conexão entre linguagem e pensamento. Nesta "pedra" as pessoas de fora tropeçam e acabam afundando na areia movediça da ideologia.
O ser humano não é "matéria" como equivocadamente se acredita. Vivemos na esfera "inteligível", ou seja, a realidade é interpretada pela inteligência, mais propriamente Intelecto, do qual a "razão " é um dos atributos dele.
A linguagem molda o pensamento. A Esquerda entendeu isso com maestria. De fato, "criando" significados, as pessoas passarão a "pensar" de acordo com este molde.
Reflitamos. Diante de determinada expressão, alguém diz que este termo é "preconceito". A raiz do problema é: de onde veio esta ideia? Raramente alguém examina se realmente o termo seria preconceituoso na realidade. 
Neste exemplo, uma reflexão profunda rastrearia a origem deste "critério", que reside num condicionamento pela mídia ou pela educação fornecida pelo Estado. Um verdadeiro "preconceito"!
Nós não pensamos, uma elite intelectual pensa por nós.
Não nos enganemos com a palavra "intelectual". O vulgo a vê como aquele que se ocupa com ideias fúteis e endeusa o homem "prático". Não tratamos aqui destes tipos e sim daqueles que "pensam" a realidade, que será  por força de hábito e pelas leis, imposta à massa humana.
São Tomás de Aquino dizia que "nomeamos aquilo que inteligimos". O mundo moderno faz séculos vem "inteligido aquilo que nomeia".
A consequência disso é óbvia: a ideologia lança o termo e predispõe o "significado" que deve ser aceito. Esta aceitação se dá por persuasão e por força de lei.
Não é de se admirar o termos chego numa época onde sexo (gênero) ser definido por uma "identificação", ou seja, um desejo momentâneo. 
Como alertou Burke: tiramos conclusões de nossas conclusões...

Felicidade: existe?

É bem conhecida a expressão "quer ser feliz ou ter razão?". Ser feliz, neste sentido, é um estado superior ao de estar certo num c...