Se o filósofo é aquele que ama o conhecimento verdadeiro e por extensão a sabedoria, não se poderia deixar de contrapor o seu inverso: o filodoxo.
O termo parece ter sido cunhado por Sócrates ou Platão. O filodoxo dá valor à opinião.
Podemos entender "opinião" por um juízo emitido de forma superficial. Toda opinião é apressada e rasa. Se calha por acertar, se deve ao método de tentativa de erro.
Na modernidade, "estudamos" através de resumos feitos por terceiros e mediante isso emitimos opinião.
Alexis de Tocqueville, francês, para dar um exemplo, estudou várias obras antigas e de sua época (XIX) sobre democracia. Não contente, viajou com recursos próprios para os EUA, onde visitou muitas localidades conversando com moradores e examinando documentos. Desta empresa nasceu o monumental "Da Democracia na América".
Tocqueville não opinou sobre a democracia: não era opositor e nem simpatizante. Foi estudar a fundo para compreender. Nos tempos atuais temos milhares de "influencers" e até mesmo "doutores" que discorrem amplamente com teor ideológico ou superficialmente sobre vários assuntos.
Até a Idade Média era de praxe ler os autores mais antigos para ver se havia sido solucionada alguma questão. Depois seguiam para os da sua atualidade. O nosso proceder é diferente: lemos os mais recentes, ou melhor, o "resumo" dos mais recentes.
A opinião é o caminho da maioria: ler textos curtos e "mastigados" com frases de efeito.
O conhecimento verdadeiro é um caminho exigente: exige estudo de diferentes pontos de vista. Isso leva tempo e dá muito trabalho.
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