Cultura Conservadora
quinta-feira, 29 de dezembro de 2022
Felicidade: existe?
terça-feira, 8 de novembro de 2022
As Três Esferas da Ideologia
A concepção de "ideologia" como "estudo das ideias" abraça um plano meramente nominalista.
O ponto vital da questão é a interpretação da realidade. Neste sentido, as ideias que possibilitam com maior ou menor sucesso este processo são agrupadas sob certa "ideologia".
Obviamente a "ideologia" pode ter sucesso e nem por isso ser necessariamente "verdadeira". Neste artigo, entendemos "verdade" como correspondente a realidade. Sendo esta percebida pela inteligência humana.
A ideologia, no sentido negativo, seria aquela que interpretaria a realidade de forma falsa. Isto deve ser entendido claramente: a mentira explícita não é usada, mas sim sutilmente misturada com a verdade, de forma que se confundam.
Neste caso a "realidade" adquire uma "camada" e se torna "instrumental". Esta é a "ideologia" que trataremos daqui em frente: um grupo menor determina o que é real e como se deve proceder nesta "realidade", enquanto um grupo maior acata esta "interpretação".
A esta luz, a "ideologia" nasce de uma elite intelectual. Poucos têm capacidade para entender como a esfera humana opera, ainda que parcialmente. Neste caso, as ideias se tornam instrumento de poder. Esta é a primeira esfera e aqui se encontram grandes intelectos como Rosseau, Voltaire, Hegel e Marx entre outros.
Mas as ideias têm que sair dos salões e gabinetes. Para isso é preciso da segunda esfera: os intermediários ou mediadores. Estes compreendem uma parte das ideias originais e as enfeitam para se tornarem atrativas nos meios acadêmicos. Foi o caso, no Brasil, de Paulo Freire: este estudou o marxismo clássico e as obras de Sartre. Apesar de não ter "estatura" para criar obra original, nem por isso deixou de mesclar estas e outras ideias numa vasta obra que seduziu a classe docente por várias décadas.
Neste caminho já trilhado, a ideologia atinge uma parte considerável da sociedade. Porém, a maioria falta ser atingida. Este objetivo é conseguido com a ajuda dos mediadores, da mídia e pela força do Estado.
Para as massas a ideologia chega sutilmente embutida em ideias simples, ou seja, "slogans" e lugares comuns. Na terceira esfera, o sucesso depende da adesão das massas e o cultivo da "opinião" é de suma importância. O juiz supremo é o juízo pessoal, baseado num desejo obtuso e que é sugerido (ou obrigado por lei) pelo Estado.
Ninguém sabe exatamente de onde vem uma ideia, mas ela controla a vida de toda uma sociedade. A prisão é tão perfeita que raramente alguém não se considera "livre".
terça-feira, 1 de novembro de 2022
Esquerda: Pensamento e Linguagem
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
A Pedra Angular da Esquerda
Comumente se entende como fundamento da Esquerda a luta de classes inseridas no meio econômico.
Ao contrário do que muitos equivocadamente pensam, não se trata do pobre trabalhador tentando reparar as injustiças causadas pelo patrão opressor. No século XIX mesmo Marx já havia "expandido" esta ideia.
Embora a "realidade" para a Esquerda seja a esfera material, ou seja, o homem é o produto do "meio" e de fatores considerados mecânicos.
A esta luz, a vida humana termina com a morte. Qualquer ideia de "alma", "providência divina" ou vida após a morte é uma pretensão, ao fim inútil.
Decorre desta premissa, que a vida "virtuosa" será aquela em que o indivíduo usufrui do máximo de prazeres possível antes da "hora derradeira".
Há um equívoco no julgamento dos "valores" da Esquerda: está ausente desta conta o seu verdadeiro valor fundamental.
Os fatores "materiais" são acidentes (no sentido filosófico). A pedra angular é o fator "transcende", ou seja, o "pensamento" como última instância e sua alienação.
Se é possível descartar valores usados por milênios como alma, Deus, vida após a morte, etc. Não há como negar o valor do "pensamento". E Marx soube astutamente inserir a "alienação" do ser humano com o capital.
Mas é preciso notar que o fermento de certas "filosofias" fez este bolo ideológico crescer ao longo de séculos. A chave está na busca e adoção de uma "verdade instrumental" em detrimento da "Verdade Objetiva".
Os sofistas na Grécia antiga plantaram a semente. Ockham contribuiu com a separação de fé e razão, cimentadas pelo "Nominalismo".
Dali em diante, os Iluministas Franceses adicionaram nesta receita a razão, não como ela sempre existiu, mas como juiz soberano. Neste passo, Hegel arremata a coroa nesta nova "deusa". Marx acrescenta a "luta de classes", que mais tarde iria adquirir um sentido incrivelmente elástico. Neste século XXI ainda continua incorporando formas externas...
O pensamento humano é a "última instância" da realidade. A razão, um atributo do Intelecto para as tradições clássicas, se torna uma "deusa" absoluta.
Este modo de pensar, é claro, conduziu à seguinte conclusão: aqueles que têm maior poder de conceber e de compreender as ideias, são os mais aptos da humanidade.
De fato, há duas classes neste "mundo": uma elite que alça os cumes da "razão absoluta" e a massa dominada. Não sejamos apressados. Há inúmeros intercalamentos entre estas duas divisões formais.
O homem, como concluiu o infame Voltaire, criou um "deus" à sua imagem e semelhança, pagando com moeda vil a Deus seu Criador.
sexta-feira, 21 de outubro de 2022
Pedagogia Moderna III: As Catacumbas
Pedagogia Moderna II: Estúpido Letrado
Depois de definido o primeiro ponto da autoridade, ou melhor, da minimização da autoridade por parte de quem ensina em relação a quem aprende, chegou o momento de abordar o segundo ponto: o conteúdo.
Não precisamos nos estender nas críticas modernas aos métodos clássicos sobre os conteúdos: é uma extensão das desferidas à autoridade.
Nos três métodos clássicos (Paideia, Trivium e Quadrivium e no Ratio Studiorum) o conteúdo era detalhadamente trabalhado.
O estudante aprendia a gramática encorado por uma literatura consagrada. Por exemplo, aprendia latim e grego, utilizando textos de Virgílio e Ésquilo.
A Gramática era parte do currículo. Paralelamente a Retórica (arte de argumentar) e a Lógica seguiam passo semelhante com obras como as de Cícero e Aristóteles.
Para estes pedagogos, estudar sem conhecer a estrutura da gramática, o seu bom uso na literatura, as estruturas da argumentação e da lógica, seria um trabalho inútil.
Não sem razão, temos dificuldade para ler os autores gregos e escolásticos: a estrutura da linguagem e das formas lógicas são muito robustas para o nosso paladar mais delicado.
Enfim, o "conteúdo" clássico é vilependiado como instrução inútil na educação moderna. A ênfase moderna é em "temas" que formem bons cidadãos.
O que seria esta formação do "bom cidadão"? Aquele que se acomoda na forma das "virtudes" estabelecidas pela "vontade geral" (obviamente definida pelos "representantes" do povo).
Mais que conhecer a estrutura da linguagem e da lógica, importa segundo este critério moderno, "tomar consciência dos problemas de gênero e classe que corrigem as desigualdades".
A esta luz, o educando vai cada vez mais conhecendo as diversas formas de desigualdade (econômica, gênero ou raça). Inversamente passa a conhecer menos a própria linguagem, suas formas lógicas de expressão e ainda mais dramático, não se preocupa se estas "desigualdades" são verdadeiras.
De novo a lição do Aquinate: quanto mais complexo o conteúdo, mais são precisos conhecimentos precedentes.
Se não há conteúdo (adquirido por estudo de várias fontes e de diversas épocas) o resultado é uma "opinião" assentada num sentimento confuso. A reflexão sólida dá lugar ao sabor das paixões do momento, algo que Burke constantemente alertava.
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Pedagogia Moderna I: O Oprimido Opressor
Felicidade: existe?
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