quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Os Graus de Leitura II: Figuras de Linguagem

Não basta conhecer a estrutura formal da linguagem para ser bom leitor ou escritor. Além deste difícil atributo, faz-se necessário o domínio das "figuras de linguagem". Uma palavra, por exemplo, pode adquirir diversos sentidos dentro de um idioma.
No exemplo "Sócrates tropeçou na calçada", não há dificuldade. Mas se dissermos "Sócrates tropeça nas palavras", é exigido um nível de abstração acima do literal e a dificuldade para entender aumenta. A leitura e reflexão no estudo de obras literárias de autores de diversas épocas ajudam a desenvolver esta plasticidade intelectual.
Pode-se objetar que as "figuras de linguagem" fazem parte da estrutura forma da gramática e seriam, portanto, literais. Não é este o sentido que usamos aqui. Para perceber a esfera de ação deste nível é necessária a adição da "imaginação" no processo, o que não se dá automaticamente na aquisição da estrutura formal (gramática).
Machado de Assis nos dá um exemplo brilhante quando diz que Brás Cubas não é um "autor defunto" (um homem que escreve  livro e faleceu), mas sim um "defunto autor" (alguém que no mundo do Além resolveu escrever um livro).
No nível das "figuras de linguagem" as dificuldades se tornam ainda maiores que na fase da gramática. Muitas frases se tornam "polêmicas" porque as pessoas não compreendem "figuras de linguagem". Um exemplo moderno é o "menino usa azul e menina usa rosa": literalmente é um absurdo.

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